segunda-feira, 11 de abril de 2011

Florbela e Frida, amorzinhos selvagens!


O depoimento abaixo é da Elisa, aluna da FALE e colaboradora da causa animal. Aqui ela nos mostra como podemos mudar e aprender muito com os animais.

Quando conheci a Maílce e decidi adotar um gato (contra a vontade da minha mãe, que teve asma na infância e, por isso, teve durante quase toda a vida fobia de gatos), esperava o que todo mundo espera: um companheiro para brincadeiras, um bichinho macio para abraçar e para me alegrar com as suas brincadeiras. Mas a minha história acabou sendo bem diferente.

Visitando uma clínica veterinária parceira junto com a Maílce, me deparei com dois filhotinhos pretos, peludos e remelentos, escondidos lá no fundo da gaiola. Enquanto os outros filhotes pulavam bem no primeiro plano da gaiola, chamando a minha atenção, os filhotinhos pretos só arreganhavam os dentes, ameaçadores. Fiquei absolutamente impressionada ao ver como filhotes tão pequenos podiam ser (e parecer) tão ferozes. Me explicaram então que esses filhotinhos pretos provavelmente não seriam adotados, pois ninguém conseguia pegá-los sem uma luva de couro. Pareciam indomesticáveis, e o risco de receber uma mordida...

A Maílce procurava alguém para socializa-los, e lá fui eu me oferecer para ficar com eles por uma semana, para ver se se acostumavam com a presença humana. Eu, que nunca sequer tinha tido um gato! Estava morrendo de medo daquelas ferinhas babonas, remelentas e de olhar feroz, mas ao mesmo tempo pensei que se eu não as albergasse, provavelmente ninguém o faria. Coragem. Cheia de recomendações e com a Maílce dizendo que eu podia desistir quando quisesse, lá fui eu pra casa com os filhotinhos e as luvas de couro.

A primeira semana foi mesmo desanimadora. Aqueles filhotinhos peludos e que não permitiam sequer a proximidade da gente sem mostrar logo os dentes se esconderam pela casa, e assim ficaram. Eu não sabia nem o sexo deles, não podia dar nome, nem vacina, muito menos vermífugo. Não sabia se tinham ficado assim por maus-tratos, ou se eram gatos do mato, selvagens, que haviam sido retirado da natureza por algum Ser des-Humano qualquer, e abandonados. Eu não os via pela casa, e só sabia que ainda estavam por ali por causa da vasilha de comida, que eu enchia e depois aparecia vazia, ou remexida. Me sentia frustrada, e minha mãe, que havia reclamado tanto quando falei que os levaria para casa, começou a ficar curiosa com aqueles animaizinhos tão arredios. Da curiosidade minha mãe passou à pena, e eu também. Começamos a vê-los como sombras em casa, passando correndo com medo ou nos olhando com olhões assustados atrás da geladeira. Eu e minha mãe passamos a ter longas conversas imaginando o que teria acontecido com esses gatinhos, para terem tanto medo, para não aceitarem um carinho, para não atenderem ao chamado doce da nossa voz... nos frustrávamos, eu e minha mãe, e nos apaixonávamos a cada dia.

Hoje, depois de vários e vários meses, nossa família é feliz. Descobri que os filhotinhos na verdade são duas fêmeas, de estatura pequena e que eu chamo de “as selvagens”. Na verdade, quem descobriu foi um veterinário corajoso, que ousou pega-las e dar vacina, com luvas de couro, enquanto elas guinchavam como porcos indo para o abatedouro.

Com a Frida e a Florbela, eu e minha mãe aprendemos a dar valor a cada pequeno avanço: pulamos de alegria da primeira vez que vimos Frida e Florbela correndo um pouco mais devagar pela casa, e já chorei de emoção várias vezes ao vê-las sentadas no sofá, me olhando. Os olhares... aprendemos a perceber cada mudança no olhar dessas moças, que foi passando de ameaçador a desconfiado, e hoje posso dizer que vejo alguma tranqüilidade naqueles olhinhos amarelos. Vê-las no fim de tarde deitadas perto de mim na sala, com a luz do sol se pondo, me emociona muito ainda. Sei que na minha casa elas encontraram uma tranqüilidade que provavelmente não teriam em outro lugar. Frida e Florbela ainda se escondem à vista de qualquer pessoa estranha, quase ninguém as vê. Com a minha mãe elas dividem o espaço tranquilamente, mas ainda sou a única que consegue toca-las, fazer carinho, pegar no colo (elas odeiam colo). E como elas valorizam o carinho... ao contrário de outros gatos, elas não conheciam o carinho antes das minhas mãos, por isso tiveram que descobrir que ele é bom, que não é ameaçador... elas aprenderam coisas boas, assim como eu.

Minhas gatinhas selvagens me ensinaram muitas coisas: a ter paciência, a valorizar detalhes, e me ensinaram também um amor quase franciscano. Minha mãe venceu a fobia de gatos, e hoje se anima e se emociona com cada passo que damos na socialização delas. Mas um ensinamento foi central, e é ele que eu gostaria de dividir com os leitores do blog: a decisão de adotar um animal nunca deve ser apenas para a satisfação do seu desejo. Nossa motivação central não deve ser a vontade de abraçar um bichinho, ou de vê-lo brincar, ou simplesmente porque achamos o bichano fofo. Essas são sensações que passam, um dia você estará cansado e não vai querer brincar, ou abraçar, ou admirar a fofura dele. A adoção de um animal é um ato de generosidade para com esse bichinho. É algo que deve dizer respeito mais a ele do que a você. Eles têm suas individualidades, eles devem ser respeitados. Enfim, não custa dizer isso mais uma vez.
Não tenho um bichinho para abraçar e apertar, mas a emoção de fazer as fotos que envio para vocês, tão de pertinho, me mostra como valeu e vale a pena!

3 comentários:

Anônimo disse...

lindo.

Cláudia disse...

Olá!!!! Conheci este blog através do mac maniaca, e tb sou belorizontina.
Sou dona de duas gatinhas.
A sweet de 14 aninhos, que nasceu em minha casa, foi a unica bebezinha de minha gatinha que já se foi, e qe foi fruto de adoção.
E a Fiona, que pegamos na casa do sogro da minha irmã e que não gosta de gatos e queria matar minha lindinha. Ela trouxe vida pra casa, e animou minha Sweet que que devido a uma serie de complicações andava meio tristinha. Até o veterinári assustou com a melhora, pois achava que a Sweet não duraria muito tempo.
Elisa vá se acostumando que gatos de modo geral não gostam de colo, apesar de sempre dar umas espremidas nas minhas rsrsrs.
PS: Avalie o veterinario que cuidara de suas bichinhas, poi nem todos gostam de gatos e infelizmente deixam isso prejudicar o serviço. A Sweet, já foi vitima de um veterinario irresponsavel. Ela quase morreu pq o veterinario se quer leu os exames dela. Ela estava com alta de urei e hj faz uso de ração especial para controlar. Esse mesmo veterinario me devolveu ela sem dar o banho, qdo o paguei para faze-lo. Qdo reclamamos disse que daria um banho de graça. Obvio que nao a levamos mais la, e de graa nada, já tinha pagado. Então cuidado com os profissionais irresponsaveis. Parabéns pelo seu ato!!!!! Adoro pessoas que gostam de bichos e não de raça. Sua vida vai ser muito mais feliz com essas bichanas.

Elisa Taborda disse...

Olá Cláudia! Realmente, colo não é o forte das bichanas daqui de casa. Porém, vou ter que te contar que esse negócio de personalidades dos gatos ainda me impressiona a cada dia? Não é que o gato da minha tia, também adotado através da Mailce (o Doc) é praticamente um filhote de gente? Ama colo, e sempre envolve nosso pescoço com as patinhas, parece que estamos carregando uma criança...rsrs. Quanto ao veterinário, obrigada pela dica, estarei atenta. O veterinário de que falei em meu depoimento se chama Dr. Marcos, e é um parceiro de longa data dos gatos da Fafich. Ainda bem! Um grande abraço.